a reciclagem é uma farsa?

a diversidade de materiais e complexidade dos processos dos processos de reciclagem exigem tratamento específico e estratégias conectadas, para que a reciclagem não se transforme em uma farsa.

há algumas semanas falei sobre a complexidade dos processos de reciclagem e como isso faz com que muitos dos resíduos gerados acabem não sendo reciclados, mesmo quando são recicláveis.

na prática, apenas algo entre 3% e 5% dos resíduos recicláveis são, de fato, reciclados no Brasil. o cenário global também não é muito melhor: apenas 9% dos resíduos são reciclados. será que isso significa então que a reciclagem é uma farsa?

não necessariamente, mas ela também não é a solução para todos os problemas!

a origem da farsa da reciclagem

é importante lembrar que a reciclagem foi inventada pela própria indústria do plástico, na década de 70, quando já se percebia os efeitos nocivos do uso descontrolado do plástico. no fundo, ela foi uma solução criada para estimular o consumo por um lado (afinal, era só reciclar depois) e transferir a responsabilidade pelo tratamento dos resíduos, por outro, culpabilizando o consumidor pelos baixos índices de reciclagem.

50 anos de reforço deste discurso praticamente consolidaram a reciclagem como a resposta óbvia para o tratamento das montanhas de lixo produzidas todos os dias, sem que as estruturas produtivas ou mesmo o consumo fossem questionados.

de fato, a reciclagem hoje é um processo muito eficiente para lidar com alguns tipos de materiais, como o alumínio que é quase que 100% reciclado, mas como reflexo de um mundo complexo, ela não é uma solução única e não responde a todos os problemas de gestão de resíduos.

a reciclagem é só um dos caminhos

então não é que a reciclagem seja uma farsa, ela só não é a salvação para todos os problemas, entende? é preciso encontrar soluções estruturais específicas para cada tipo de resíduo: reciclagem, substituição, upcycling, remanufatura e até eventualmente, parar o uso de alguns materiais por completo quando não houver alternativa sustentável para o seu tratamento.

mas pra tudo isso, é fundamental que a que a indústria assuma sua responsabilidade sobre os resíduos que gera não só na produção, mas também no pós-consumo, reavaliando processos como obsolescência programada e estabelecendo cadeias mais complexas e eficientes de logística reversa e gestão de resíduos.

você já tinha pensado sobre isso? como é a sua relação com o consumo por aí?

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